quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Por onde anda a felicidade?

O almoço já estava bastante adiantado e, enquanto isso conversávamos eu e ela mesmo estando só, ou, simplesmente sorria de satisfação por saber que ela chegaria a qualquer momento. Nisso, o telemóvel (celular) sempre a mão soava seu alarme anunciando mais uma mensagem recebida a qual, me apressava em ler. "Hoje me apetece comer massinha!" Pronto, lá se ia perdido todo o meu trabalho culinário empregado. Esta tal felicidade estava sempre a surpreender-me com suas manias muito bem humoradas e as vezes até abusivas, mas que tornavam a Travagem 270, um lugar único, precioso e pleno de de tanta felicidade.
"Esta casa fica vazia sem você!"
Do seu lugar exclusivo na mesa do almoço, iniciávamos então a alegre competição de arremeço de guardanapos ao cesto de lixo, que nos divertia por bastante tempo, mesmo tendo em sua maioria das vezes um único vencedor, (?), mas a felicidade ali a julgar recursos solicitado por concorrentes derrotados. Depois, de mãos dadas vencidos e vencedores comemoravam o resultado no próximo café.
A felicidade nem precisava ser bonita, mas é linda, tem nome e sobre-nome, anda, pensa, nos faz sorrir sempre, nos faz delirar, cantar, dançar, sonhar, ficar e partir.
Encontrei uma vez a felicidade no 78 apinhado de gente mal dispostas em sua maioria, mas que renderam-se ao encanto provocante dela arrancando murmúrios e sorrisos destes antes mal humorados e invejosos espectadores. Faltavam-lhes sabedoria para reconhecerem a felicidade.
Quando saímos as compras, muitas vezes a procura do que comprar ou na cerveja consumida nas mesas dos bares da Ribeira, ou mesmo na escolha do chá naquela casa que me foi apresentada enquanto discutíamos a abertura e organização de uma empresa, ou apenas para se ter uma conversa séria ou descontraída.
Já se foi possível encontrar a felicidade na papelaria do Chico, às vezes pesquisando material para um trabalho de escola, ou na escolha de uma revista, uma caneta, um caderno, uma coisa desnecessária qualquer ou simplesmente procurando um motivo para chateá-lo...Também era normal ver a felicidade chegar acompanhada do chinês com ou sem a sua catráia, e em muitas vezes se transformava em chinesa para agradar gregos e troianos que ao término dessa deliciosa fantasia inundava a casa de tanta felicidade.
Cada um é feliz a seu modo mas neste caso a felicidade é única e sabemos onde encontrá-la, embora livre como um pássaro percorra o mundo com endereço desta vez incerto mas coroada por onde estiver por seus súditos capazes de reconhece-la. Nas escadarias do colégio, tapetes vermelho a esperá-la para desfilar seu charme, sua beleza, sua alegria, mas antes ela preferia o passeio xadrezado do Bessa, transformando-o em passarela, que mesmo com tanta pompa não supera um simples gesto de espreguiçar, uma vez que ela "felicidade" nem sempre está disponível para aquele que a procura.
Entre tantos momentos felizes, ela eternizou-se simplesmente por um dia ter nascido!

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